As Estátuas Gigantes da Páscoa

Quem viajar pelo Oceano Pacífico adentro cerca de 3600kms para oeste do Chile, irá encontrar a Ilha da Páscoa. Descoberta em 1722, por um navegador holandês durante o Domingo de Páscoa, a ilha já abrigou uma das mais intrigantes culturas da humanidade, recheada de riquezas culturais, e fazendo com que pessoas de todas as partes do mundo viajem até lá em busca de lendas e mistérios jamais explicados. Rapa Nui, como é conhecida no dialecto Polinésio, exerce um fascínio a que não é alheio o ritual do homem-pássaro. Nesta cerimónia nadadores representando os chefes tribais da ilha disputam o ovo posto pela andorinha negra, a Manu Tara, numa ilhota a 1600m da costa. Ao vencedor dá-se o título de Homem Pássaro, e o seu líder será o soberano absoluto da ilha durante um ano inteiro.

As Estátuas
Outro dos marcos da Ilha da Páscoa são as gigantescas estátuas construídas misteriosamente num ambiente tão desolado e inóspito. José Manuel Fernandes, num editorial do jornal Público desvenda-nos que Jared Diamond, no seu livro How Societies Choose to Fail or Suceed (Como é que as sociedades escolhem vencer ou falhar), fala das pesquisas de cientistas que estudaram o ADN dos habitantes de Páscoa, e de exames ao pólen que ao longo dos séculos se foi depositando em certas área da Ilha. Escreve José Manuel Fernandes: “Estes vestígios permitem-nos hoje saber que os construtores das estátuas gigantes não eram, etnicamente, muito diferentes dos povos da Polinésia e que se desenvolveram uma civilização mais sofisticada isso se deveu, em boa parte, à generosidade dos recursos disponíveis nessa ilha específica, onde os primeiros habitantes terão chegado há 1600 anos”. Ora, em apenas 8 séculos os arquitectos das estátuas gigantes destruíram o meio natural onde viviam. A floresta rica, frondosa e variada foi destruída até à última árvore. Das muitas espécies de aves nem uma sobreviveu. Finalmente partiram deixando um rasto de destruição. Chegaram a ser milhares os habitantes da Ilha da Páscoa. Quando o Chile anexou o território eram 111 sobreviventes, quase todos doentes.

Israel
Israel quando conquistou a Terra Prometida, ficou na posse duma terra que manava leite e mel. O território era tão fértil que os cachos de uvas eram enormes. Eram precisos 2 homens para carregar um cacho. As pastagens eram verdes e frescas dando alimento em abundância aos animais que se multiplicavam em tão aprazíveis planícies. Deus, sempre zeloso da Sua obra, estipulou anos e estações para cultivar a terra. Havia indicações precisas para tirar o proveito dos campos, mas também havia regras para fazer repousar os terrenos a fim de que eles recuperassem do esforço. Ora, os povos que habitaram a Terra Prometida, fizeram vista grossa dos conselhos agrícolas de Deus. Hoje, as disputas pela Terra Santa, parecem-nos mesquinhas porque só vemos deserto, pó e pedregulhos. A terra foi delapidada. Durante séculos e séculos a exploração foi selvagem. O resultado está à vista.

Portugal
De acordo com notícias vindas a lume, parece que Portugal se tem portado muito mal na guerra que o mundo trava com o esgotamento dos recursos naturais (nomeadamente dos combustíveis fósseis). Galopamos para o desastre, se mantivermos o ritmo a que consumimos o petróleo e o gás natural. E, o desastre aqui não se mede apenas em consumo energético, ou créditos de emissões. Mede-se essencialmente em futuro para os nossos filhos. Deus aponta-nos o caminho, ao dar-nos a Terra em herança para “cultivar e guardar” (Génesis 2:15). Nós manchámos esse desígnio, deixando um rasto de “cardos e abrolhos” (Génesis 3:18). Todavia, este mandato da Criação continua de pé. Deus ainda nos desafia a sermos bons jardineiros: “Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a Terra” (Mateus 5:5). Ser Cristão também passa por cuidarmos da Terra Restaurada que um dia iremos habitar. Se não queremos ouvir os conselhos de Deus, temos aí as estátuas da Ilha da Páscoa que são um gigantesco testemunho da insensatez da humanidade.

Samuel Nunes




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