O Espelho.

Quando se olha ao espelho o que é que vê? Quando passa em frente a uma montra e vê o seu reflexo o que é que pensa? Vê uma pessoa bonita e elegante? Cheia de capacidade e potencial para fazer coisas bonitas? Ou vê o dente podre, os pés esticados para fora, os quilos à volta da cintura e a borbulha irritante?

Porventura não se olha muito ao espelho porque isso lhe traz à memória tudo aquilo que tem de ajustar na sua pessoa. Ou então gasta horas infindas na “malhação” e no quarto de raios ultra-violetas, tentando chegar ao status considerado pela sociedade como bem-parecido(a).

Realmente, vivemos numa cultura obcecada pelo corpo. É inaceitável pelos padrões actuais envelhecer com graça e ... rugas. Uma pessoa depois dos quarenta que não tenha acrescentado à ternura um pouco de pele esticada, não é ninguém. Impera o buço à pai macaco (botox); reina o boião de creme mágico; vigora o comprimido azul. É a TV, são os jornais e os anúncios. Todos nos bombardeiam com o facto de que não basta ser quem somos. Nem chega, termos o visual que temos.

E Deus?
Mas o que será que Deus tem a dizer sobre o assunto? Quando Deus olha para nós o que é que Ele vê? Na verdade, a Bíblia pouca tinta gasta com a descrição das pessoas. Por exemplo, não nos é dito a cor do cabelo de Eva, nem o perfil do seu nariz. Também não sabemos se Adão tinha bigode, usava barba ou tinha uns ombros musculados. O que sabemos, sem sombra de dúvida, é que ambos foram criados à imagem e conforme à semelhança de Deus. E mais. A beleza na Bíblia é tratada de forma distinta. A beleza de Sara trouxe-lhe problemas (Gén 12:10-13). A beleza de Betseba desencadeou o desejo de Davi (2 Sam 11:1-2). Por outro lado a beleza de Ester foi usada para preservar o povo de Deus, e em Cantares de Salomão a aparência física é altamente valorizada.

A beleza física atrai Deus
Deus fica feliz com a nossa aparência física porque foi Ele que nos criou, e Ele criou-nos exactamente como somos. Ele é um arquitecto que constrói precisamente de acordo com o projecto inicial.

A beleza interior atrai ainda mais Deus
O nosso valor como pessoas, o nosso valor inato, não são determinados pela nossa aparência exterior. A atracção duradoura é aquela que flui do coração encharcado com o amor de Deus. Ter um corte de cabelo fixe, usar roupas de marca, e ter o peso ideal podem tornar-nos aceitáveis diante da sociedade. Mas, o nosso real valor está dentro de nós. O exterior é uma concha temporária que desmaiará. O interior é aquela partícula de ser que se renova dia após dia (2 Cor 4:16). É trágico sermos engolidos por uma cultura que vive na fixação do exterior.

A beleza é determinada por quem somos em Cristo
Podemos melhorar a nossa aparência. Mas o que conta é o que somos cá dentro. “Um espírito manso e tranquilo é de grande valor diante de Deus” ( 1 Ped 3:3). Ou seja, não nos é exigido que melhoremos o nosso aspecto exterior mas sim que melhoremos em sermos mais semelhantes a Cristo. Somos desafiados a reflectir a Sua beleza.

Temos uma escolha a fazer: Ou nos preocupamos em olhar para o nosso reflexo no espelho distorcido da sociedade; ou podemos olhar-nos pelas lentes de Deus. Então que tal! De manhã quando olharmos para o espelho que possamos ser gratos por quem somos, e por quem parecemos. Gratos pela nossa identidade e pelo nosso visual. E se for para mudar, que possamos pedir que Deus nos conforme mais à imagem de Cristo para que uma sociedade obcecada pelo físico possa ver e maravilhar.

 

 

Samuel Nunes




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